Diferenças entre Aeroporto Público e Privado: Um Guia Técnico para Gestores de Infraestrutura Aeroportuária

Entenda as diferenças fundamentais entre aeroportos públicos e privados no Brasil. Conformidade regulatória, sinalização luminosa e requisitos operacionais.

Diferenças entre Aeroporto Público e Privado: Um Guia Técnico para Gestores de Infraestrutura Aeroportuária

A decisão de investimento e gestão em infraestrutura aérea — seja ela em um aeródromo público sob concessão ou em uma pista totalmente privada — é uma escolha estratégica para gestores de projetos, empresas de aviação e proprietários de ativos logísticos. Embora ambos os tipos de instalações sirvam à aviação civil, suas estruturas regulatórias, responsabilidades operacionais e requisitos de conformidade diferem significativamente.

Desde 2012, o Brasil implementou o primeiro modelo de delegação de exploração comercial de aeródromos privados. Hoje, o país conta com 2.752 aeródromos registrados: 569 públicos e 2.183 privados, além de 1.228 helipontos. Com 75 a 80% da infraestrutura de pouso e decolagem do Brasil sendo de natureza privada, este artigo detalha as diferenças estruturais, regulatórias e operacionais essenciais para profissionais responsáveis pela gestão de infraestrutura aeroportuária.

Um aeródromo privado é uma instalação construída, mantida e operada por seu proprietário, com função exclusiva de servir às operações desse proprietário e suas empresas associadas. Um aeroporto público é uma infraestrutura aberta ao tráfego de qualquer aeronave, desde que respeitadas as capacidades operacionais e requisitos de segurança estabelecidos pelos órgãos reguladores.​

A vedação à exploração comercial é fundamental nos aeródromos privados. Conforme o Código Brasileiro de Aeronáutica (Lei 7.565/1986), não é permitido cobrar tarifas de pouso, permanência ou serviços aeroportuários sem que o aeródromo seja convertido em público.​

No entanto, a legislação prevê conversão: um aeródromo privado pode obter autorização para exploração comercial mediante o Decreto 7.871/2012. Quando formalizada essa conversão, o espaço passa a ser classificado como aeroporto público, permitindo cobrança de tarifas.​

A conformidade de qualquer aeródromo é supervisionada por dois órgãos: a ANAC (Agência Nacional de Aviação Civil) e o DECEA (Departamento de Controle do Espaço Aéreo).​

A ANAC é responsável pela infraestrutura do aeródromo:

  • Características físicas das pistas
  • Sinalização vertical e luminosa
  • Sistemas de iluminação de pouso e aproximação
  • Sistemas elétricos de suporte operacional​

O DECEA é responsável pela segurança do espaço aéreo:

  • Análise de viabilidade de operações aéreas
  • Aprovação do Plano Básico de Zona de Proteção do Aeródromo (PBZPA)
  • Restrições de altura e obstáculos​

Qualquer aeródromo deve estar devidamente cadastrado junto à ANAC para operar legalmente.​

Para aeródromos privados:

  • Inscrição no Cadastro de Aeródromos (TFAC: R$ 500,00)
  • Aprovação do PBZPA pelo COMAER
  • Projeto técnico detalhado​

Para aeródromos públicos:

  • Inscrição cadastral com TFAC variável entre R$ 2 mil a R$ 15 mil
  • Processo de homologação completo
  • Análise de impacto ambiental​

O PBZPA estabelece as áreas reservadas para manobras aéreas e restringe construções que possam impor risco. A ausência desse plano resultou na interdição de muitos aeródromos brasileiros.​

A sinalização luminosa obedece a padrões definidos pela ICAO (Anexo 14) e implementados localmente através do RBAC 154 (Regulamento Brasileiro da Aviação Civil).​

O RBAC 154 e a ICAO Anexo 14 exigem:​

  • Balizamento de pistas: luzes de borda, eixo de pista e cabeceira
  • Sinalização luminosa de táxi: luzes de taxiway para orientação
  • Iluminação de obstáculos: identificação de objetos que comprometam a segurança
  • Sinalização vertical: placas de instrução obrigatória e informação​

Um aspecto crítico é a redundância de sistemas. Tanto o Anexo 14 quanto o RBAC 154 exigem que circuitos críticos possuam alimentação independente e capacidade de backup. Um único circuito não pode controlar toda a sinalização de uma pista,  são necessários sistemas intercalados com chaves de transferência rápida.​

A tecnologia LED é agora preferencial, desde que atenda às normas ICAO e ABNT. As luminárias devem apresentar vida útil mínima especificada, controlabilidade via sistemas de supervisão e cumprimento de especificações fotométricas.​

A iluminação noturna é obrigatória para pistas de aproximação por instrumento (ILS) e pistas com código de operação 3 ou 4. Para aproximações Categoria II e III (baixa visibilidade), exigem-se redundância dupla de sistemas elétricos, RCC em paralelo e potência de backup em 15 segundos máximo.

Nesse contexto, o PAPI (Precision Approach Path Indicator) cumpre um papel complementar e obrigatório: ele é o auxílio visual mais crítico na fase de aproximação final. Embora a iluminação de alta complexidade seja mandatória em categorias de baixa visibilidade, o PAPI é o sistema de referência visual que traduz a trajetória de descida ideal ao piloto, sendo exigido pela regulamentação brasileira (RBAC-154) para a maioria das operações noturnas em pistas de aproximação por instrumento. Sua falha, inclusive, proíbe o pouso noturno.

Aeródromos privados geralmente possuem operações focadas. O proprietário é responsável por:

  • Manutenção básica de infraestrutura
  • Verificação periódica de conformidade
  • Registro de movimentação de aeronaves​

Aeroportos públicos possuem responsabilidades mais complexas:

  • Operações 24/7 com procedimentos formalizados
  • Gerenciamento de múltiplos usuários
  • Planos de resposta a emergências
  • Auditorias periódicas de conformidade​

Aeródromos públicos certificados são obrigados a participar de auditorias regulares. Em 2024, havia 68 aeroportos certificados, representando 5,7% dos aeródromos públicos, mas respondendo por 92,5% da movimentação de passageiros. A auditoria mais complexa é o ACOP TOPS REA (Atestado de Capacidade Operacional). Um resultado “A” (acima de 95% de conformidade) indica excelência operacional.​

A diferença regulatória afeta diretamente a escolha de equipamentos de sinalização luminosa.

Para aeródromos privados:

  • Especificações menos rigorosas se a operação for apenas VFR (visual)
  • Menores exigências de redundância​

Para aeroportos públicos:

  • Exigências de redundância dupla obrigatória​
  • Conformidade total com ICAO Anexo 14​
  • Certificação de equipamentos de alta confiabilidade​

Os custos diferem substancialmente. Uma reforma de sinalização luminosa em um aeroporto público pode custar milhões. Aeroportos públicos enfrentam custos contínuos de manutenção preventiva, auditorias externas e investimentos em sistemas de monitoramento remoto.​

Aeródromos privados podem operar com custos mais modestos, desde que atendam requisitos mínimos de segurança.

O Brasil se consolidou como o segundo maior mercado de aviação executiva do mundo, com mais de 1.000 jatos privados registrados. A frota brasileira atingiu 10.632 unidades em 2024, com crescimento liderado por jatos executivos (alta de 15%), turboélices (alta de 17%) e helicópteros (alta de 8%).​

A distribuição de aeródromos privados correlaciona-se com atividades econômicas. Os estados com maior número são:

  • Mato Grosso: 504 aeródromos
  • Mato Grosso do Sul: 425 aeródromos​

Essa concentração reflete a importância da aviação privada para o setor agropecuário, onde proprietários rurais utilizam pistas particulares para conectar propriedades e acessar mercados.​

Um dos maiores desafios é a falta de estruturação regulatória. Muitos aeródromos privados registrados não possuem o PBZPA aprovado, colocando-os em situação técnica irregular.​

O Plano Nacional de Segurança Operacional (PNSO) 2023-2025 estabeleceu metas para reduzir acidentes. Em 2024, o Brasil demonstrou progresso notável, com uma taxa de acidentes inferior ao patamar de referência. Isso reflete melhor conformidade regulatória e necessidade contínua de investimento em infraestrutura.​

A profissionalização contínua da aviação civil brasileira garante que, seja em um aeroporto público sob concessão ou em um aeródromo privado, os padrões de conformidade e segurança tendem a aumentar. Em ambos os cenários, o investimento em infraestrutura robusta e sistemas de sinalização de alta qualidade é um imperativo estratégico.

É neste ponto que a decisão sobre o fornecedor se torna a mais crítica. O gestor do aeroporto, a construtora que busca explorar a área comercial, ou o empresário que precisa de capacidade de escoamento para sua produção – todos precisam de apoio técnico especializado para homologar suas operações. Contar com um parceiro que demonstre profundo conhecimento da burocracia brasileira é tão importante quanto a qualidade do equipamento.

A Metrol, com mais de 55 anos de tradição e domínio das normas da ANAC e DECEA, oferece exatamente essa tranquilidade. Somos um parceiro estratégico capaz de mitigar o risco regulatório, garantir o TCO (Custo Total de Propriedade) mais baixo a longo prazo e assegurar a previsibilidade operacional que todo gestor busca. Escolher a Metrol é transformar a complexidade da conformidade em certeza operacional.

AspectoAeródromo PrivadoAeroporto Público
Uso PermitidoExclusivo do proprietárioQualquer operador
Exploração ComercialVedada (sem conversão)Permitida
Cadastro ObrigatórioSim (R$ 500)Sim (R$ 2 mil a R$ 15 mil)
PBZPAObrigatórioObrigatório
Auditoria ACOPNão (a menos que público)Sim (se certificado)
Sinalização LuminosaRBAC 154 (menos rigoroso se VFR)RBAC 154 + ICAO Anexo 14
Redundância SistemasBásicaDupla
Custo ManutençãoMenorMaior

Um aeródromo privado pode ser convertido em público?
Sim. Conforme o Decreto 7.871/2012, um proprietário pode solicitar autorização à ANAC para exploração comercial. Após aprovação, passa a ser classificado como aeroporto público.​

A sinalização luminosa é obrigatória em aeródromos privados?
Depende do tipo de operação. Para operações visuais diurnas (VFR day), pode ser limitada. Para operações noturnas ou por instrumento (IFR), é obrigatória com redundância.​

Qual é o papel do DECEA e da ANAC?
A ANAC supervisiona a infraestrutura aeroportuária; o DECEA supervisiona a segurança do espaço aéreo e viabilidade operacional.​